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A POESIA DE JEHOVÁ DE CARVALHO
Autor: Raimundo Costa
Publicado em 11/12/2011
Visualizado 1042 vezes
Por: Raimundo Costa
Descrição do Material

                          A POESIA DE JEHOVÁ DE CARVALHO

 

 

 

                                                                                           Raimundo Dalvo Costa

 

 

  RESUMO: O estudo tem a intenção de examinar algumas criações poéticas de Jehová de Carvalho verificando a influência do lirismo presente nas suas poesias.

 

PALAVRA-CHAVE: Jehová de Carvalho, poesia, lirismo

 

 

     “Um mundo romântico, o da poesia de Jehová de Carvalho, da qual dirão talvez ser voz de acento lírico, despida de modismo, falta de certa busca moderníssima. Mas, em verdade, pode-se dizer da poesia que ela é antiga ou moderna, pode-se julgá-la partindo de seu condicionamento á última receita ditada em qualquer parte do mundo ? Simples e clara ou resultado de experiências novas e obscuras, a poesia será sempre o pão do homem. No canto apaixonado desse poeta, encontra o homem e o mundo, sua dor, seu protesto, sua luta, “ a aurora e sua mensagem rubra” e o amor “sobre o tempo e sobre a vida” Seu canto de protesto não é simples armação de palavras nem demagogia nem generosa inconsciência: o poeta tem plena consciência do seu tempo e seu gesto nasce do conhecimento:          

                                     

                                         “Não pode ser o jardineiro

                                         entregue a rosa a quem ame

                                           Entrego-a a quem por amor

                                           Continua o tempo havendo

                                            E põe o povo a aurora” ( CARVALHO,1967 p.22)

        Certos poemas seus recorda-me Nicolas Guillen não em ordem de influência mas num parentesco de ritmo, como o “Canto ao Açougueiro Morto” ou a “Procissão da Paixão”. Outros poemas parecem-me reclamar música[...]”  ( CARVALHO 1967 p.5-6)

        

     São com estas palavras que Jorge Amado começa prefaciando o livro “Um Passo na Noite” de Jehová de Carvalho citando também uma estrofe do poema do amigo intitulada “Poema do preparo das horas” escrito na década de 60.  Jorge Amado escreve: “da qual dirão talvez ser voz de acento lírico”.  O que é o lirismo? Jehová foi um poeta lírico?

          O lirismo nasceu na Grécia Antiga através da poesia porém devendo ser cantada ou acompanhada de uma flauta ou uma lira por isso o nome lírica. Aquele que escreve usando o estilo lírico busca uma comunicação direta com quem ler, externando amor, tristeza, conflitos existências etc. A poesia lírica é geralmente marcada por rimas, redondilhas, sonetos, canções, odes, oitavas, tercetos, sextinas, elegias e éclogas como também figuras de linguagem como assonâncias e aliterações.

               Segundo Helena Parente Cunha ( 1979, p.1)

 

“A essência lírica se manifesta nos fenômenos estilísticos próprios. Quando a obra apresenta predomínio desses traços sobre os demais, se situa no ramo da Lírica. Assim se pronuncia Rosenfeld: Pertencerá à Lírica todo poema de extensão menor, na medida em que nele não se cristalizarem personagens nítidos e em que, ao contrário, uma voz central -- quase sempre um "Eu" -- nele exprimir seu próprio estado de alma. De fato, no poema lírico há sempre um eu que se expressa, advindo daí o subjetivismo atribuído a este tipo de composição. É indiscutível a afetividade e a emotividade do clima lírico, sempre ligado ao íntimo e ao sentimento, tornando fluida e inconsistente a relação entre o sujeito e o objeto, isto é, entre o eu e o mundo. A emoção e o sentimento impedem a configuração mais nítida das coisas e dos seres que não se fixam, mas fluem sem contornos definidos na torrente poética. Quanto mais lírico o poema, menor será a distância entre o eu e o mundo, que se fundem e confundem.”

         Vários escritores se destacam nesse gênero como: Horácio, Camões, Castro Alves, Allan Poe, Fernando Pessoa, Cessário Verde e outros.

          O poeta e cronista Jehová de Carvalho foi talvez o maior poeta lírico de Salvador nas décadas de 50 e 60. “Um Passo na Noite” foi o primeiro livro de poesia publicada em 1967 assim como outros trabalhados poéticos, nunca divulgados, porém marcados pelo lirismo como a “Procissão da Paixão”:

                                                                              Na procissão da Paixão

Bartolomeu não comeu

o seu pedaço de pão

Porque tão envergonhados

os homens encapuçados?

Do Carmo ao paço

Do Paço ao Carmo

O Pelourinho é o tempo

e a ação da Procissão.

Senhor morto

morto e triste

Mas, na igreja,

o padre insiste:

Senhor vivo

Senhor vivo

 

Incenso nas Irmandades

- dos cristãos

quais os irmãos?

 

A fé de Joaquim

o café de Serafim

o sapato de celeste

o tamanco de Maria

a toalha de Zefinha

o manto de Conceição

nos passos da Procissão

da Paixão.

 

Pivete dono de esquina

invadiu a Procissão

da Paixão

E balançou o andor

do Senhor

Mas,  o Senhor não caiu;

pois o braço de seis homens

piedoso, piedoso,

às pressa o segurou.

 

E o Bispo se assustou

na Procissão do Senhor.

 

( CARVALHO, 1967 p.13)

 

 

         Percebemos no poema a musicalidade presente nos versos de forma ritmada com sons próprios oriundos da rima, da aliteração e assonância. A insistência do “P” ou da aliteração é no sentido de chamar atenção que foi na “Procissão da Paixão” no espaço do “Paço ao Carmo o Pelourinho é o tempo e ação da Procissão”. Foi em uma festa religiosa em um determinado lugar onde tantas outras coisas ligadas a este ato aconteceram. A repetição presente em alguns momentos é responsável pela musicalidade, ou seja, repetição/musicalidade são traços próprios do lirismo com isso o poeta se vale para tocar o leitor chamando atenção para sua narrativa de caráter social apontando os contrários “Procissão da Paixão” X Pivete dono de esquina invadiu a Procissão da Paixão.

       

          Todos os poetas que seguiram esse estilo buscavam negar as normas gramáticas ao usar repetições e ambiquidades tentando com isso libertar o poeta de regras rígidas ou das ditas lógicas racionais da linguagem formal.

 

          Como um bom boemio não poderia faltar poemas focando a mulher como musa inspiradora ou mais do que isso um espelho onde o poeta se via sendo ela, a mulher, valvula de escape das suas angustias existencias. Alguns dos seus poemas traz a mulher nos seus sonhos de forma idealizada e sem limites representado no adverbio  de intensidade “mais do que” e nas figuras de linguagem como metaforas e hiperboles.

 

Amo-te mais que a noite em que concebes-

enquanto sonho-o fruto que sonhei;

Mais que meus pés os passos que eu já dei

e ama o teu ventre o fruto que recebes.

Mais que o semeador a sua messe;

mais do que a valva a seiva pura e certa;

mais que o amor vegetal a terra aberta

Do grão que em cada semeadura cresce.

Amo-te sôbre o tempo e sôbre a vida

sôbre o que for minh’hora indefinida

De amar-te mais do que a razão me importe.

Não basta a aurora e sua mensagem rubra

p’ra que êste amor marcado se descubra

     e seja mais amor dentro da morte.

 ( CARVALHO, 1967 p 40)

 

 

           Este soneto intitulado “Sonêto do amor-de-sempre” feito para uma das suas paixões conhecida por “Dulsinha”, foi escrito no Mercado de Sete Portas em Janeiro de 1966. Como uma mulher apenas não lhe bastava era necessário outra para que seu lirismo e devaneios ganhasse toda intensidade e forma. Em 1961 no Jardim da Praça Cairu ele escreve para sua esposa, Vandete Carvalho, o soneto “Rosa e a rosa de Março”

 

 Dei uma rosa à Rosa, ontem, quando chegara

ao leito a que seu corpo vem como cício

e com a mão que a criou, Rosa a depositara

na noite do meu quarto intacto e vazio.

 

Por entre a carne e o linho, Rosa me abismara

Março já não nos traz frestras o frio

Rosa amor que nasceu da vertigem do estio

Tendo a mão que a criou numa rosa ficara.

 

Rosas amanheceram prenhes de arrebol

mas, a brisa a ferir finos filtros de sol

vem-lhes estranhas cor sobre o ventre sentir

 

Hoje, rosa não há. Mas, tu, Rosa intangida,

Sementes me depões nesta noite indormida,

Pra na luz de amanhã outra rosa existir.”

                                                               ( CARVALHO 1967 p.33)

      

          A Rosa não é mais uma idealização do poeta pois ambos, marido e mulher, se entregaram ao amor carnal mais o estilo lírico, presente no poema, permaneceu deixando seu imaginário livre em oposição a razão.

       

           O lirismo presente nas poesias deste poeta não era apenas amoroso como também trazia os conflitos existenciais. A contradição do ser ou não ser, faz parte da trajetória de vida do poeta desse modo este se identifica com Fernando Pessoa e essa afirmação se configura no começa do seu poema “Do Porto-Mar Barco-Ilha” citando este escritor portugues antes de começar a poesia:

 

“ Quero fugir ao mistério

Para onde fugirei?

Ele é a vida e a morte

                                    Ó dor, aonde me irei?”  ( Fernando Pessoa )

 

“Do Porto-Mar Barco-Ilha

 

Que porto sou? Que serei?

Que mar depois de não sei

Se embarcas em meu navio,

não sei se mar ou se rio:

vou de onde estou navegando

e n’ outro porto ancorado

- não sei se mar ou se rio.

Sinto de embarque teu rosto

no calendário de agosto.

Sem pés, sem mãos, sem cabeça,

- ao barco-rosa-do vento

que, se subir meu momento,

já não o sou. Sou o leme.

e basta, navegar e geme

a dor do porto serei

o mar que, depois, não sei

     sem mãos, sem pés, sem cabeça.

(CARVALHO, poesia não publicada)

        

          

             O paradoxo é um traço estilistico marcante em Pessoa onde o conflito entre o ser e o não ser se evidencia mostrando traços do simbolismo. Pessoa na pessoa de Alvaros de Campos demonstra um certo pessimismo e desilusão com a vida. É justamente por isso  que Jehová chama este poeta para o seu texto e em seguida, com a sua poesia, retrata um momento seu pessoal e particular da sua existência de forma conflituosa e questionativa sobre a sua condição no mundo e esse seu sentimento se amplia no “ Soneto do Ponto Final”:

 

Andei demais, amigo. Andei jogando

pedaços de mim a todo o lado

a ponto de hoje trôpego e cansado

viver passo por passo me encontrando.

 

Cêdo parei de andar de vez. E quando

eu me procuro e vejo  assim parado

os meus passos cobertos de passando

penso que o tempo é que se vai parando.

 

Meus pés ficaram atrás de mim. E escuro

é o trilho acidentado do futuro

onde falece a última esperança

 

Daqueles que,como eu, ouvem sózinhos

do coração de areia dos caminhos

     seus passos vacilantes de criança    

 ( CARVALHO, 1960. Escrito no Jornal da Bahia em 03/ 1960) o número da pg. Não tem)

 

[...]viver passo por passo me encontrando[...]  E escuro é o trilho acidentado do futuro onde falece a última esperança [...]  A busca de se conhecer marca a trajetória de vida como também a falta de esperança no futuro por parte de Jehová. Tudo se esvanece, a história dos  homens e seus modos de vida é desencantadora  porém tudo não pareçe perdido no “Soneto de um novo entendimento”:

 

Como não entender? Como voltar-se

ao tempo axial? Como valer-se

em corpos e equilibrios e somar-se

ao espaço a realidade de doer-se?

 

Há de existir o tempo que imagino

tão breve quão difícil de conter-se

em nova arquitetura e por haver-se

gestado em sua semente e em seu destino.

 

Os corações conduzem nas orgivas

antigas pulsações adjetivas

do tempo vivo para o tempo morto.

 

Quem sabe do meu canto não cantado?

e tenho um todo amor desabitado

que de haver sido peito agora é porto

 

( CARVALHO 1967, p.41)

   

 

           Para o poeta é preciso entendimento que vem da alma de um novo homem em busca da felicidade perdida ou seja o tempo axial é uma viagem dentro de si mesmo no que diz respeito a vida espiritual buscando ir além do material. Transcedendo a este mundo os humanos poderiam se tornar eles mesmos e mais pleno. “Há de existir o tempo que imagino”, afirma Jehová, acreditando que um dia a sua utópia pode se tornar realidade.

 

          Niilismo e esperança, crise existencial e felicidade, lucida loucura sim e não assim é a poesia lirica desse poeta marcada pelo óximoro que marca a sua poetica e sua vida.

 

 

 O LÍRISMO MODERNISTA

 

         Jehová era filho do seu tempo um ser social contaminado pelos acontecimentos históricos leitor da história, sociologia, poesias, romances, jornais, revistas, cordeis. Poeta do povo e da rua. Em alguns momentos era lirico em outros modernos navegando ao seu bel prazer no gênero literario. A “moda” era a sua vontade de criar de acordo com o seu  interesses. Oscilava como as tábuas da mare era poeta acadêmico ou popular quando queria.  “Romaria Noturna” depõe nesse sentido:

 

 

 “A noite ventre de aurora

eterno imenso fecundo

toca os seus cabelos negros

no corpo exausto do mundo.

 

Me larga sono me deixa

que este murmúrio e este açoite

levam a noite de minh, alma

a alma negra da noite.

 

escuto meu passo de ontem

que me apavora e me assombra

errando como um duende

perdido dentro da sombra

Há um gemido incontido

que sobre o asfalto flutua

antigas dores do tempo

n’alma de pedra da rua

No preço de uma cachaça

do copo de João Saul 

há balanços de saveiros

e sopros de vento sul

e noites de pescaria

e curriacos-tucus

rompendo o peito das águas

mordido de guaiamus

 

No preço

Tudo marcam modorrentos

estes meus dedos noturnos

 

Momentos de cabarés

com lantejoulas chinesas

e girândolas tremendo

com reticências acesas

 

E tristezas volitando

candelabros intagidos

vacilantes e pendentes

de tetos inconcebidos.

 

Trompetes embriagados se arrastando nas escalas

chorando ritmos loucos

que repercutem nas salas.

 

Tudo marcam modorrentos

estes meus dedos noturnos.

 

Mas no quarto de Clarice

há saudades masculinas

que se escondem nos tecidos

de avermelhados cortinas

 

E o nome de um marinheiro

cheio de ausência e viagem

sobre as tetas de Clarice

cobertas de tatuagem.

Boquinha traz duas pernas da maldita; não demora

que a erva é na preguiça

mas só gimbra até dez horas

 

Meia noite, mês passado

houve uns esp’ritos por lá

de zarro se espiantaram

mas foi esbirro fechar.

 

O que tem não me endoidece

porque esta perna é minha.

Tou nas bocas não se esquece

mas vai depressa Boquinha. 

 

No bolso da calça curta

de Boquinha não há pão.

mas, um baralho escondido

num maço de papelão.

 

E cedo no bando afoito

de outros moleques fregueses

do crime apostas nas chapas

dos automóveis burgueses

 

Perambula depois deita

Sobre um passeio qualquer

até que a Bahia acorde

do seu rico canapé.

 

Na igreja de São Francisco

cospe à face da anciã

que ainda dorme coberta

da fria paz da mahã.

 

E enquanto a alma da igreja

se inflama de incenso e prece

romeira de outros caminhos

minha esperança estremece.  

 

Ó noite! Ventre de

aurora.

Eterno. Imenso. Fecundo.

Toca os teus cabelos negros

no corpo exausto do mundo.

( CARVALHO 1967 p.27)

  

        

        Para melhor entendimento de algumas gírias o escritor no final do livro na pagina 45 apresenta um glossário chamado de “Termos populares e gíricos da Bahia” como: Maldita ( erva maldita) referente à maconha. Gimbrar é acontecer. Esprito arruaça provocada por indivíduos maconhados. Espiantar, desaparecer, fugir sem deixar pista. Endoidecer, ficar sobre efeito da maconha. Perna, quantidade de maconha bastante para um cigarro. Bocas, locais onde se reúnem viciados para fumar em conjunto o cigarro da maconha. Bandeira, fazer cobertura, ficar na frente, auxiliar o colega no roubo. Sornar, dormir sobre o efeito da maconha. Esbirro, foi tolice a briga [...]

 ( CARVALHO, 1967 p. 45)

 

        A linguagem irreverente e polemizadora falada pelo povo, retratada na poesia, denunciam a realidade baiana, esta é apresentada do jeito que ele é sem rebuscamento e refinamento, o poeta usa uma linguagem sem erudição um lirismo social do modo de ser e viver dos personagens deste poema em especial do seu criador que viveu diretamente com essa gente. É o poeta livre falando da sua cidade. Romaria Noturna foi escrito no Bar Cearense em dezembro de 1955 quando Salvador ainda respirava os ares do Modernismo.

 

         A liberdade de expressão toma conta das mãos de Jehová. O cotidiano baiano passa a ser retratado da maneira que ele é: o grosseiro, absurdo, vulgar, conflituoso, tensões entre classes sociais, a falsa moral soteropolitana, ou seja, tudo e todos podem se tornar objeto literário ou poético, assim como a história de João, presente no “Canto ao açougueiro morto”:

 

 

Em sua atitude de hirsuto

de uma intima dimensão

é João é vivo e é forte

sua revolta é mais revolta

porque é revolta na morte.

 

Os meus sonhos retesados

já nada podem fazer

seus lábios enregelados

já nada podem dizer

que traduzem a esperança

que tôda revolta traz

na esperança interrompida

que,ai, a morte é mais vida

 

O pranto que molha a sala

onde todos morrem em parte

na refeição espontânea

na indisciplina dos gestos

nos batuques nas novenas

no dominó sabatino

na obrigação de Iansan

 

- êsse pranto é linfa livre

nas mãos da prole sofrida

para regar a semente

da rosa que hoje é rosa

e  será fruto amanhã.

 

É fácil ver João presente

em cada hora infantil

de suas crianças órfãs

no esfôrço interior

da companheira deixada

no mundo particular

da mesa quase vazia

da casa sem João nem rumos

 

Ah presença visual

da mesa prêsa à parede

ilimitada e frustrada

em seu espaço e em seu tempo!

 

Ah longos olhos de Flora

no seu nasce o dia inteiro

no seu morre o dia inteiro

em seu crepúsculo de sangue

em sua aurora de carne!

 

Ë fácil ver João parado

nos olhos da companheira

nas serrilhas de outras mãos

iguais às mãos que trazia

sôbre o corpo e sôbre a alma.

 

Eu canto  por João de Beco

mulato ginga de rua

João bofetada de esquina

João cachaça de quitanda

João capoeira de largo

João porta de sindicato

João do povo e do futuro

- carne de peito, zangado

chupa-môlho pra família

ôsso duro pro patrão.

Eu canto por ti, João,

Canto por ti, meu irmão.

 

(CARVALHO, 1967 p.19)

 


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